quinta-feira, 4 de março de 2010

Começando a homenagem às mulheres

Aproximando-se o dia internacional da mulher, já começando as homenagens. Em especial àquela que me fez o mês festivo de fevereiro mais doce e alegre ao melhor modo clown. E claro usaremos, sem nenhum pudor, Chico e Tom para externar tal sentimento:

Imagina
Imagina
Hoje à noite
A gente se perder

Imagina
Imagina
Hoje à noite
A lua se apagar

Quem já viu a lua cris
Quando a lua começa a murchar
Lua cris
É preciso gritar e correr, socorrer o luar

Meu amor
Abre a porta pra noite passar
E olha o sol
Da manhã
Olha a chuva
Olha a chuva, olha o sol, olha o dia a lançar
Serpentinas
Serpentinas pelo céu

Sete fitas
Coloridas
Sete vias
Sete vidas
Avenidas
Pra qualquer lugar
Imagina
Imagina

PAGU - Mulher de Luta

Do Blog da Ana Júlia - Governadora do Pará


Escritora, jornalista e militante comunista, Patrícia Rehder Galvão, mais conhecida como Pagu, teve grande destaque no movimento modernista iniciado em 1922.

Aos 18 anos, mal completara o Curso na Escola Normal da Capital, em São Paulo , Pagu já estava integrada ao movimento antropofágico, de cunho modernista, sob a influência de Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral. Passa a ser então considerada a musa do movimento.

Em 1930, um escândalo para a sociedade conservadora de então: Oswald separa-se de Tarsila e casa-se com Pagu. No mesmo ano, nasce Rudá de Andrade, segundo filho de Oswald e primeiro de Pagu. Os dois se tornam militantes do Partido Comunista.

Ao participar da organização de uma greve de estivadores em Santos, Pagu é presa. Era a primeira de uma série de 23 prisões, ao longo da vida. Logo depois de ser solta (1933) partiu para uma viagem pelo mundo, deixando no Brasil o marido Oswald e seu filho. No mesmo ano, publica o romance Parque Industrial, sob o pseudônimo de Mara Lobo.

Em 1935 é presa em Paris como comunista estrangeira, com identidade falsa, e é repatriada para o Brasil;. Separa-se definitivamente de Oswald, retoma a atividade jornalística, mas é novamente presa e torturada, ficando na cadeia por 5 anos.

Ao sair da prisão, em 1940, rompe com o Partido Comunista, passando a defender um socialismo de linha trotskista. Integra a redação de A Vanguarda Socialista junto com seu marido Geraldo Ferraz, o crítico de arte Mário Pedrosa, Hilcar Leite e Edmundo Moniz. Do casamento com Geraldo Ferraz, nasce seu segundo filho, Geraldo Galvão Ferraz, em 18 de junho de 1941.

Em 1952 frequenta a Escola de Arte Dramática de São Paulo, levando seus espetáculos a Santos. Ligada ao teatro de vanguarda apresenta a sua tradução de A Cantora Careca de Ionesno. Traduziu e dirigiu Fando e Liz de Arrabal, numa montagem amadora onde estreava um jovem artista Plínio Marcos.

É conhecida como grande animadora cultural em Santos, onde passa a residir. Dedica-se em especial ao teatro, particularmente no incentivo a grupos amadores. Lança novo romance, A Famosa Revista, escrito em parceria com Geraldo Ferraz, em 1945. E em 1950, tenta, sem sucesso, uma vaga de deputada estadual.

Ainda trabalhava como crítica de arte, quando foi acometida de um câncer. Viaja então a Paris para se submeter a uma cirurgia, sem resultados positivos. Decepcionada, Patrícia tenta suicídio, o que não se consuma. Sobre o episódio, ela escreveu no panfleto "Verdade e Liberdade": "Uma bala ficou para trás, entre gazes e lembranças estraçalhadas". Volta ao Brasil e morre em 12 de dezembro de 1962, em decorrência da doença.

Ainda Pagu – O apelido Pagu surgiu de um erro do poeta modernista Raul Bopp, autor de Cobra Norato. Bopp inventou o apelido, ao dedicar-lhe um poema, porque imaginou que seu nome fosse Patrícia Goulart e por isso fez uma brincadeira com as primeiras sílabas do nome.

Em viagem à China, Pagu obteve as primeiras sementes de soja que foram introduzidas no Brasil.

Em 2004 a memória de Pagu foi salva pela catadora de rua Selma Morgana Sarti, em Santos. A catadora encontrou jogados no lixo fotos e documentos originais da escritora e do jornalista Geraldo Ferraz, seu último companheiro. Entre os achados, estava uma foto de Pagu, com dedicatória para Geraldo.

Pagu publicou os romances Parque Industrial (edição da autora, 1933), sob o pseudônimo Mara Lobo, considerado o primeiro romance proletário brasileiro, e A Famosa Revista (Americ-Edit, 1945), em colaboração com Geraldo Ferraz. Parque Industrial foi publicado nos Estados Unidos em tradução de Kenneth David Jackson em 1994 pela Editora da University of Nebraska Press.

Escreveu também contos policiais, sob o pseudônimo King Shelter, publicados originalmente na revista Detective, dirigida pelo dramaturgo Nelson Rodrigues, e depois reunidos em Safra Macabra (Livraria José Olympio Editora, 1998).

No trabalho de Pagu junto a grupos teatrais, revelou e traduziu grandes autores até então inéditos no Brasil como James Joyce, Eugène Ionesco, Arrabal e Octavio Paz.


DireitospraTodos: saúdo com a figura de Pagu ao Movimento Feminista que já se organiza para a 3.ª Ação Internacional a ocorrer de 08 a 18 de março em São Paulo. E teremos qualificada delegação paraense.

quarta-feira, 3 de março de 2010

SÓ DE SACANAGEM
(por Elisa Lucinda, lida por Ana Carolina prefaciando a música "Brasil Corrupção - Unimultiplicidade", de Tom Zé)

E como me fez lembrar do Caso do DF.
Ainda temos músicas combativas neste país. A esperança nunca pode morrer. Eis o conto:

Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar? Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas, meias que voam entupidas de dinheiro, do meu, do nosso dinheiro que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?

É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.

Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam: "Não roubarás", "Devolva o lápis do coleguinha", "Esse apontador não é seu, minha filha". Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar.

Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará. Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar.

Só de sacanagem! Dirão: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo mundo rouba" e vou dizer: "Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau."

Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal". Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal. Eu repito, ouviram? Imortal! Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final!

NÃO PODEMOS RETROCEDER NA HISTÓRIA!

terça-feira, 2 de março de 2010

Pesquisadores ensinam a fazer cerveja em casa e com frutas regionais

Da Redação
Agência Pará

Loira, gelada, com álcool, sem álcool, de chocolate, light. Ela possui vários tipos e denominações e tem pelo menos 10 mil anos de existência, sendo apreciada primeiramente pelos povos da antiga Mesopotâmia e pelos egípcios. Assim é a cerveja, bebida cujo consumo aumenta 0,28% no Brasil, sempre que aumenta o calor. Os dados são do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), que indica o Brasil como o quarto maior consumidor de cerveja no mundo, perdendo apenas para a China, Estados Unidos e Alemanha. Na região Norte, em que as temperaturas ultrapassam os 34 graus, são muitos os que se rendem à apreciação da bebida.


Pesquisadores do curso de Tecnologia Agroindustrial, da Universidade do Estado do Pará (Uepa), após um trabalho de conclusão de curso, passaram a desenvolver cursos de extensão que ensinam a arte de produzir cerveja em casa, com baixo custo e fácil produção. Tudo com uma diferença: elas podem ter o sabor de frutas regionais, como cupuaçu, bacuri e manga.


"Para se ter uma boa cerveja basta a cevada, lúpulo, levedura e uma boa água. A fabricação é muito simples; já realizamos com sucesso a produção de cervejas de frutos da região, e também de maçã, acerola, morango e abacaxi. Em princípio, pode ser feito cerveja de qualquer fruta", diz Marcos Eger, pesquisador responsável pelos cursos.


As cervejas produzidas no curso possuem um teor alcoólico de 1,3 a 5%. Até agora, a produção realizada nos laboratórios de tecnologia se limita a 20 litros, ou seja, 33 garrafas de 600 ml.


Com a fabricação caseira, pequenos produtores do Estado poderiam se beneficiar com a criação de microcervejarias de frutas regionais. "Na Alemanha, por exemplo, não existem grandes cervejarias, o que existe são pequenas cervejarias que atendem à pequenas regiões. Se fabricada no interior do Estado, por exemplo, teríamos um produto próprio, de baixo teor alcoólico, rico em proteínas e que pode gerar um bom lucro, já que o custo é pequeno e pode ser vendido por um valor mais baixo do que o cobrado por outras cervejas", diz.


De acordo com o pesquisador, o mais importante na fabricação caseira da cerveja é a higiene. "Para uma produção pequena e caseira, com muita higiene e cuidado, após sete dias fermentando dentro da garrafa, é só abrir e apreciar, já que nesse caso a produção não deve ser armazenada e, sim, consumida após pronta. Já para ser comercializada, há uma série de análises, especificações e normas a serem cumpridas para que essa cerveja passe a ser vendida", esclarece.


A próxima ação é aproximar as comunidades do interior junto aos núcleos da Uepa neste projeto. Já foram realizados cursos em Belém, Paragominas, Marabá e recentemente em Cametá, onde os pesquisadores convidaram os empresários locais para experimentar a cerveja de acerola. A cerveja é produzida a partir da fermentação de cereais, principalmente a cevada maltada, e acredita-se que tenha sido das primeiras bebidas com álcool a serem desenvolvidas pelo ser humano. A produção da cerveja tem um total de 15 etapas, que vão desde a separação dos grãos, moagem e maltagem, até a fervura, masturação, pasteurização e armazenamento.


À princípio, os cursos de cervejaria são para os alunos de tecnologia agroindustrial, mas podem ser solicitados por outras instituições na coordenação do curso, que fica no Centro de Ciências Naturais (CCNT/Uepa), localizado na travessa Enéas Pinheiro, 2626, Marco, Belém.


Ascom - Uepa

ps.: o jeito é degustar.

segunda-feira, 1 de março de 2010

A tendência é de descer o Serra

O futuro de Serra
Por Marco Aurélio Mello
Ministro do STF
direto do blog do Luis Nassif)

Faz algum tempo que deixei de ser editor de política. Ainda que o fosse, não considero ter as credenciais dos grandes “formadores de opinião” para fazer a análise que pretendo, nem tenho também a arrogância dos “pequenos”, para difundir uma verdade absoluta.

Mas, com base nas informações que possuo da política estadual paulista e na experiência que acumulei ao longo dos tantos anos em que estudei o assunto com aplicação, vou tentar traçar um cenário, a partir da última pesquisa de opinião pública divulgada neste fim de semana. A considerar o retrato de hoje, José Serra está preso em seu labirinto. Sabe que perdeu o “timing”. Seu PSDB só está com ele na Capital.

Desde 2006, quando tentou levar seu adversário Geraldo Alckmin às cordas, perdeu apoio importante no interior. Apoio que não recuperou na condição de governador. Tanto é assim, que os palanques para a campanha do ex-governador Alckmin já estão prontos.

Ao evitar a disputa com Aécio Neves pela indicação, também se afastou do segundo maior colégio eleitoral do país, Minas Gerais. Hoje tem apenas o apoio de caciques, numa coligação nacional com o DEM que ameaça a fazer água (o trocadilho fica por conta do leitor), depois do afastamento dos influentes grupos do, por enquanto, ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda e o do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.

O pré-candidato à presidência só tem de certo, hoje, os palanques do grupo Abril, Folha e Globo e, talvez, o do Rio, a depender de uma aliança com o Partido Verde, na pessoa de Fernando Gabeira. Digo na pessoa, porque sei que no Rio o PV não é orgânico, portanto, não tem base, nem militância.

Nos outros estados, o peso eleitoral e financeiro é tão pequeno para o PSDB que – nessas condições – tornam-se irrelevantes. Serra morre aos poucos. Se sair candidato à presidência, sabe que perde e, com ele, seu partido naufraga junto. Também sabe que se sair candidato à reeileição, mesmo com a máquina nas mãos, terá duas disputas duríssimas. Primeiro, com o grupo Alckimista e, depois, com os homens que serão subjulgados dentro do partido. Ele terá o ciclo da lua de março para decidir seu destino político: poderá entrar para a história como Teseu, ou morrer como o Minotauro. Aposto na segunda.

Comentário

Será que o Datafolha pesquisou também São Paulo? Quem se sairia melhor, como candidato do PSDB, Serra ou Alckmin? Na últlima pesquisa, antes da queda de Serra registrada na atual, Alckmin tinha percentual maior de votos.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Imagens de ontem dos Palhaços Trovadores - Mão de Vaca




Quem ainda perde tempo vendo Big Brother?!

Uma pena que seja este programa seja o alvo principal da mega empresa de mídia brasileira, a Globo, que acaba dominando os conscientes das pessoas. Pessoal, a realidade está aqui fora. Este programa, como outros realities show, é altamente manipulado, é na verdade mais uma novela global, a viver a vida virtual.
Vamos mudar para outros canais, a Rede Brasil sempre tem programas bons. Ou ler um livro, ou ir mais ao teatro, ou ouvir uma boa música. Ligar a TV na Rede Globo só aumenta mais o lucro do clã Marinho.

Trago cordel intitulado "Big Brother Brasil, um programa imbecil", de autoria doeducador Antônio Barreto***, um dos maiores cordelistas da Bahia. Eis trechos do cordel:
Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.

Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.

Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.

Em frente à televisão
Lá está toda a família
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.

Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.
(...)
Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Dar muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.

Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.

Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano...







***Antonio Barreto nasceu nas caatingas do sertão baiano, Santa Bárbara, na Bahia.
É autor de um dos mais recentes e estrondosos sucessos da Internet, o cordel Caetano Veloso: um sujeito alfabetizado, deselegante e preconceituoso.
Professor, poeta e cordelista. Amante da cultura popular, dos livros, da natureza, da poesia e das pessoas que vieram ao Planeta Azul para evoluir espiritualmente.
Graduado em Letras Vernáculas e pós graduado em Psicopedagogia e Literatura Brasileira.

Seu terceiro livro de poemas, Flores de Umburana, foi publicado em dezembro de 2006 pelo Selo Letras da Bahia.

Possui incontáveis trabalhos em jornais, revistas e antologias, com mais de 100 folhetos de cordel publicados sobre temas ligados à Educação, problemas sociais, futebol, humor e pesquisa, além de vários títulos ainda inéditos.

Antonio Barreto também compõe músicas na temática regional: toadas, xotes e baiões.

O cordel "Big Brother Brasil, um programa imbecil" é imperdível e está completinho aqui, em primeira mão: http://cachacaaraci.wordpress.com/

ps.: Valeu, companheiro Rafael Teodoro, pela indicação dessa postagem.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Estreia do espetáculo "Mão de Vaca", dos Palhaços Trovadores


Será nesta quinta, 25/02, a estreia da montagem "Mão de Vaca", novo espetáculo dos Palhaços Trovadores, a trupe genial homenageada pela Escola de Samba Bole Bole campeã do Carnaval 2010.


"Mão de Vaca" é uma adaptação livre da obra "O Avarento", de Molière. Vale a pena confirir, rir e extravasar. Eu recomendo.


Serviço:Peça "O Mão de Vaca". Às 20h, no anfiteatro da Praça da República, de quinta a sábado.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Polêmica: juízes não trabalham no Pará, diz OAB

Fonte: Diário do Pará 23.02.2010

A Ordem dos Advogados do Brasil no Pará (OAB-PA) foi a campo investigar se os juízes estavam trabalhando nos fóruns de suas comarcas, na segunda-feira, mas o que comprovou deixou “alarmado” o presidente da entidade, Jarbas Vasconcelos: no interior, 60% dos magistrados, das áreas criminal e cível, não deram as caras; em Belém, 35% não apareceram. A operação, que adquiriu caráter sigiloso, mobilizou conselheiros da entidade na capital e os dirigentes de seccionais espalhadas pelo Estado.

Em entrevista exclusiva ao DIÁRIO, o líder da OAB informou que ontem mesmo havia encaminhado o resultado da “Operação TQQ” - denominação cunhada pelo presidente da OAB nacional, o paraense Ophir Cavalcante Júnior para definir juízes que só aparecem para trabalhar nos fóruns às terças, quartas e quintas-feiras.

Segundo relatório da operação, na região da Transamazônica, coberta por 10 municípios, ontem só tinham comparecido ao fórum para trabalhar os juízes de Altamira e Brasil Novo. Em Anapu, Placas, Medicilândia, Pacajá, Porto de Moz, Senador José Porfírio e Vitória do Xingu não havia juiz. A comarca de Uruará está sem juiz e aguarda nomeação. Na região de Ananindeua, dos 10 juízes, nove compareceram. Em Benevides, onde atuam quatro, a OAB conferiu a ausência de três.

AUSÊNCIA

A falta de juízes também foi muito sentida na região da OAB que abrange Capanema. Apenas dois dos 12 magistrados lotados apareceram, ainda segundo o relatório da entidade. Na região estão os municípios de Bonito, Cachoeira do Piriá, Capanema, Capitão Poço, Garrafão do Norte, Nova Timboteua, Ourém, Peixe-Boi, Primavera, Salinópolis, Santa Luzia do Pará e Santarém Novo. Para Vasconcelos, as ausências podem ser classificadas como “intoleráveis”.

Em outras regiões do Estado, como no sul e oeste, a ausência nas comarcas foi classificada de “absurda” pelo presidente. Vasconcelos afirma que a OAB não quer individualizar a conduta de nenhum juiz, mas alerta que o TJ e o CNJ precisam tomar providências para que essas ausências não mais se repitam. O DIÁRIO procurou o presidente da Associação dos Magistrados do Estado do Pará (Amepa), Paulo Roberto Vieira, e ouviu dele uma reação indignada à postura da OAB de fiscalizar a presença dos juízes nas comarcas. “Policialesca, insensata e intimidadora”.

Ele disse que os números de frequência levantados pela OAB não possuem “nenhuma validade jurídica”, acrescentando que eles não resolveram os problemas que a justiça enfrenta. “Ao contrário, isso pode provocar um confronto entre juízes e advogados”.

>> Para o presidente da OAB, os juízes teriam que trabalhar oito horas por dia, como fazem carpinteiros, agentes administrativos e outras categorias profissionais.

P: Qual a avaliação desses números produzidos pela “Operação TQQ”?

R: Fizemos um levantamento que produziu os seguintes números: em 140 varas espalhadas pelo interior do Pará 60% dos juízes não estavam trabalhando como deveriam. Esse dado é alarmante e grave, porque o Pará já tem a pior relação de juizes por população do país. Ou seja, precisamos fazer mais concursos para contratar juízes. Ora, se 60% dos juízes não estão trabalhando como deveriam, então podemos considerar que o povo do Pará é o mais privado de justiça de todo o Brasil.

P: Como foi realizada essa operação?

R: O advogado tem fé pública. Nós colocamos nossos conselheiros em Belém para verificar se os juízes estavam trabalhando. Em outras cidades do interior, nossos advogados e dirigentes das seccionais da OAB fizeram o mesmo trabalho. Portanto, o nosso objetivo não é individualizar quem trabalha ou não trabalha, mas contribuir para que a justiça se faça presente nos locais onde mais a população reclama.

P: Onde é maior a ausência de juízes?

R: Na Transamazônica, por exemplo, você só vai encontrar juizes em Altamira, ainda assim pela metade. No sul do Estado, não tem juiz em Parauapebas e nem na região vizinha. No oeste, você vê aquele enorme mundo geográfico sem juiz. Só em Santarém tem juiz. Estamos diante da completa ausência do Poder Judiciário do local onde ele deveria se encontrar.

P: Em Belém, como foi a operação?

R: Houve vazamento para o Poder Judiciário, juízes foram trabalhar depois das 9h, mas 35% não compareceram. Alguns chegam às 11h e saem às 13h.

P: Qual o objetivo dessa operação?

R: Em primeiro lugar, que os juízes cumpram a Constituição, residindo na comarca. Em segundo lugar, que esses juízes trabalhem oito horas por dia, como qualquer trabalhador normal, como carpinteiro, assistente administrativo, lanterneiro.

P: O que a OAB vai fazer?

R: Estamos encaminhando ao presidente do Tribunal de Justiça do Estado, desembargador Rômulo Nunes, e para o presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Gilmar Mendes. É bom destacar que, neste momento, não estamos cogitando da conduta individual de cada juiz. O que queremos é buscar um diálogo, o consenso, com o Judiciário para que a Constituição e resoluções do CNJ sejam cumpridas. É claro que se não obtivermos esse consenso tomaremos as medidas cabíveis. Na nossa gestão, operações como as de segunda-feira serão uma constante. A sociedade só tem a OAB para fazer isso.

>> O presidente da Associação dos Magistrados do Estado do Pará (Amepa), Paulo Roberto Vieira, acredita que a fiscalização empreendida pela OAB pode levar a um confronto entre juízes e advogados. E avisa que poderá ingressar com ação por danos morais contra a OAB caso algum juiz tido como ausente na fiscalização de ontem se sinta “ofendido”. Ele também afirma que juiz é agente político e não pode cumprir horário como a maioria dos outros profissionais.

P: Como o sr. avalia a operação feita pela OAB nas comarcas do Estado?

R: Essa pesquisa não tem nenhuma validade. Quem me diz que esses números são verdadeiros? Não há nenhuma certificação pública de que isso seja verdadeiro. A questão é que tem comarca que está sem juiz, outra em que o juiz está em férias ou situações em que o juiz está acumulando comarca.

P: O trabalho da OAB consistiu em posicionar seus advogados nos fóruns de Belém e do interior para saber se os juízes estavam trabalhando.

R: O advogado não tem fé pública para certificar se o juiz está lá ou não. Quem tem fé pública é a Corregedoria de Justiça. É por isso que eu disse ao senhor se não sei se os números apresentados são verdadeiros ou não. Não posso dar credibilidade a um documento desses. Ele não tem nenhum valor jurídico. O documento entregue aos advogados fala em “operação sigilosa”. Ora, isso é estarrecedor. A OAB, que sempre defendeu a democracia e a publicidade dos atos, faz uma operação sigilosa. Isso é incomum.

P: O sr. duvida desses números?

R: A OAB não deu os nomes dos juízes que ela diz que faltaram ao trabalho. Quem são esses juízes? Como é que vou saber se ele faltou ou não?

P: Para a OAB, o objetivo do trabalho não é individualizar a conduta do juiz, mas mostrar que o Poder Judiciário está ausente no interior do Estado.

R: É um exagero de forma policialesca. Foi uma atitude insensata, policialesca e intimidadora.

P: O objetivo é intimidar o juiz?

R: É claro. Isso não vai contribuir de maneira alguma para a melhoria do Judiciário no Pará. Pelo contrário, vai criar um clima de confronto entre juízes e advogados que não interessa a ninguém.

P: Os juízes ficarão ressentidos?

R: É lógico. O juiz é um agente político. O próprio CNJ já decidiu isso no processo 20080000002920. O Sindicato do Judiciário do Maranhão queria impor o ponto eletrônico aos juízes. O conselheiro Paulo Lobo decidiu que o juiz é um agente político que não está sujeito a controle de horário.

P: Mesmo sendo servidor público?

R: Ele é um agente político e não um funcionário público como qualquer um. O juiz é juiz 24 horas por dia, todos os dias da semana, todos os meses do ano. Ele não tem carga horária e nem pode ser imposto um horário para ele cumprir. Ele não pode entrar no fórum às 8 da manhã e sair às 14h. Se for assim, ele não levaria trabalho para casa. Se a OAB entende que há juiz que não trabalha, que ela diga quem é e faça a denúncia à Corregedoria. Isso é uma besteira. Às vezes, tem juiz que chega às 9 ou 10h, porque desde cedo estava trabalhando em casa nos processos, concluindo uma sentença.

P: Em casa ele trabalha mais do que no fórum?

R: Ele trabalha mais tranquilo em casa. No fórum, ele despacha, faz audiências e atende os advogados. Muitos juízes ficam trabalhando até 8 da noite. Se fosse assim, o juiz teria de receber hora-extra pelo trabalho que produz.

P: Que providências a Amepa pretende tomar?

R: Se algum juiz se sentiu intimidado e ofendido e se isso for do interesse dele, nós iremos acionar a OAB por danos morais. Além de outras providências que o nosso departamento jurídico pretende analisar.