quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

2010 um ano com muitas lutas e conquistas

Caros,
Deixo este post para saudar o novo ano que se aproxima, e que da mesma forma nos impele a travar novas e antigas lutas, para ter as conquistas necessárias para transformar a realidade social e aprofundar a utopia por dias melhores, mais humanos, justos e igualitários, mesmo que para isso disputas em sociedade sejam deflagradas.

A cada ano que se começa, fazemos o balanço do ano que se foi, e almejamos e planejamos algo que melhore nosso cotidiano, nosso convívio com as pessoas, nossa atuação em comunidade.

Por isso, desejo para todos/as um 2010 muito realizador e excelente!

Assim deixo duas imagens, antagônicas, mas que nos inspiram por refletir este mundo e os caminhos que estamos dando a ele.

Até!





segunda-feira, 14 de dezembro de 2009




Não sei o que lhes pareceu o ataque da cavalaria do Distrito Federal aos manifestantes do movimento ‘Fora Arruda’ em Brasília – eu, pelo menos, não via nada igual desde a Batalha do Avaí, na Guerra do Paraguai, retratada em obra-prima do pintor Pedro Américo, exposta no Museu Nacional de Belas Artes. Depois que o Lula disse que “as imagens não falam por si”, cada um vê o que quer no noticiário da TV. O comando da PM viu na pancadaria uma reação natural à “turba” para garantir “o direito de ir e vir da população”.

“Cada um vê o que quer”, já dizia no início do século passado o dramaturgo italiano Luigi Pirandello para brincar com a “ótica conveniente” e a “farsa filosófica” de seus personagens, cada dia mais atuais entre nós. Se Barack Obama defendeu a guerra no Prêmio Nobel da Paz e Gilberto Kassab viu “aspectos positivos” no temporal que matou oito e infernizou a vida da cidade, assim é se lhes parece. Vocês viram o José Roberto Arruda sair pela porta dos fundos do DEM com discurso paraninfo da faculdade de Direito? Parecia um professor emocionado na formatura de seus alunos.

A verdade é quase um detalhe numa época em que, diz o noticiário, o rapper Mano Brown fechou contrato com a Nike, o vanguardista Tunga está pintando aquarelas delicadas, Seu Jorge anda cantando Michael Jackson, Ronaldinho Gaúcho foi eleito melhor jogador da década e Fernando Collor está participando da Conferência do Clima. Só falta o José Serra quebrar a cara do Schwarzenegger no encontro que terão esta semana em Copenhague.

Texto publicado na coluna Ambulatório da Notícia do caderno Aliás deste domingo no Estadão.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A CARA DA DIREITA NO BRASIL



Na foto a dupla demotucana Arruda e Serra

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Imagens da Realidade - Lixo na Cidade

Trago fotos do descaso do poder público municipal e da pouca consciência da população com a destinação do lixo em nossa querida Belém do Pará. Vejam e indignem-se:

Aqui, em frente à República de Emaús, na Rua Yamada, Bairro do Benguí

Agora, na Avenida Alcindo Cacela, próximo à Rua dos Mundurucus, na Cremação

Mais lixo, e na Travessa Haroldo Veloso, esquina da Rodovia Arthur Bernardes, no Tapanã. E o aviso não serve de nada.

Descaso urbano na Travessa Perebebuí, Bairro do Marco em Belém.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Oxalá, Mãe África! Salve o dia da consciência negra, 20 de novembro!



Oxalá, Mãe África! Salve o dia da consciência negra, 20 de novembro!

Hoje se comemora e se rememora as conquistas e lutas dos negros e das negras, dia de se expor a consciência de pessoas tão importantes para a cultura e vida desse País. Que por muitos séculos e décadas, levaram e levam o Brasil nas costas, e que ainda persiste muito preconceito e discriminação.

É triste ver como é míope a visão de alguns diferenciando quem é negro, quem é indígena, quem é branco...Somos todos iguais; mesmo que faticamente a sociedade teima em fazer tais segregações que alimentam esse sistema excludente, opressor e de distanciamento das pessoas.

E nessa data, que deveria ser feriado nacional (e não o é!), relembro de figuras importantes que construíram e dignificaram a negritude na história, eu falo de Zumbi dos Palmares, Mestre Verequete, Martin Luther King, Nelson Mandela, Machado de Assis, José do Patrocínio, Maria Quitéria, Severa Romana, Dona Zica, Cartola, Pixinguinha, Garrincha, entre outros.

E reitero: salve nossa querida Mama África, que nos faz correr em nossas veias a fibra de um povo lutador e conquistador contra a discriminação.

Trago a música “Alma não tem cor”, interpretada por Zeca Baleiro, e que expressa a igualdade que deveria existir e a multimiscigenação brasileira.

Alma não tem cor
Zeca Baleiro
Composição: André Abujamra

Alma não tem cor
Porque eu sou branco?
Alma não tem cor
Porque eu sou preto?

Branquinho, neguinho
Branco, negão

Percebam que a alma não tem cor
Ela é colorida, sim
Ela é multicolor
Percebam que a alma não tem uma só cor
Ela é colorida, sim
Ela é multicolor

Azul, amarelo
Verde, verdinho, marrom

Você conhece tudo
Você conhece o reggae
Você conhece tudo
Você só não se conhece [2]

Branquinho,neguinho
Branco, negão
Azul, amarelo
Verde, verdinho, marrom

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Movimentos Sociais divulgam carta contra intervenção federal no Pará


O Sindicato dos Bancários do Pará e Amapá é um dos signatários da carta que critica a forma como o poder judiciário paraense tem tratado a questão dos conflitos agrários no Estado e exige compromisso das instituições e dos poderes com a Reforma Agrária e as causas populares. Leia a carta.


CARTA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS EM DEFESA DA SOBERANIA DO ESTADO DO PARÁ

O Conselho de Entidades dos Movimentos Sociais (CMS) se solidariza com o poder Executivo e repudia firmemente a postura desigual com que a Justiça do Pará vem tratando a questão agrária no Estado, uma postura que acaba por legitimar e manter um modelo de exploração ilegal das terras e dos trabalhadores rurais.



Não é coerente que a mesma Justiça que se esmera em exigir reintegrações de posse feche os olhos para a grilagem de terras, que avilta há séculos o povo do Pará. È de conhecimento público que a grilagem de terras está associada também ao desmatamento ilegal, ao trabalho escravo e à violência no campo. Esta mesma Justiça vira as costas para o assassinato de lideranças e trabalhadores rurais, religiosos, parlamentares e defensores dos direitos humanos, cujos mandantes e executores continuam impunes. Lembremos sempre de Paulo Fonteles, Irmã Dorothy, Fusquinha, Expedito, João Canuto, João Batista e tantos outros lutadores.



Os dados da Comissão Permanente de Monitoramento, Estudo e Assessoramento das Questões Ligadas à Grilagem escancaram uma vergonha nacional: existem mais de 06 mil títulos de terra registrados nos cartórios estaduais com irregularidades. Somadas, essas terras representam quase um Pará inteiro em títulos falsos.



A comissão pediu anulação administrativa desses títulos e a Justiça do Pará ainda não assumiu sua responsabilidade. O próprio Governo do Estado pediu à Justiça anulação de 80 títulos. Nenhuma providência foi tomada pela Justiça até agora no sentido de moralizar e democratizar o acesso a terra. A comissão encaminhou o processo ao Conselho Nacional de Justiça, para tentar obter os avanços pelos quais os movimentos sociais lutam historicamente.



Lamentavelmente, é esta a Justiça do Pará que pede ao Supremo avaliar a possibilidade de intervenção federal no Estado, alegando que o Executivo descumpre ordens de reintegração de posse. O Governo do Estado, ainda que precise avançar nas políticas sociais, nessa área, tem demonstrado seu esforço por regularizar as terras de forma pacífica, em diálogo com os movimentos.



O povo do Pará e todos os movimentos sociais têm que mostrar sua bravura neste momento, pois somos contra quaisquer tentativas de intervenção que venham por em risco a soberania e a capacidade de organização social do povo paraense. Que estejamos unidos para defender este Estado e exigir o compromisso das instituições e dos poderes com a reforma agrária e as causas populares.



CONSELHO DE MOVIMENTOS SOCIAIS (CMS): CUT-Pa, Fetagri, Fetraf, Conam, MSTU, MOPS, MTST, Ammftimal, Gempac, Acbel, FMAP, NRP/MJP, Central de Movimentos Populares, Sindicato dos Urbanitários, Sindicato dos Bancários, Marcha Mundial de Mulheres, Círculo Bolivariano, MPUB, MEP.





Foto de Ilustração: Sebastião Salgado

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Que importa restarem cinzas se a chama foi bela e alta?

Passada uma semana do adeus a João Lucas,hoje teremos mais um momento de homenageá-lo na missa do 7.º dia, na capela do Pão do Santo Antonio.

Mas fica mesmo a lembrança dos bons momentos, de sua alegria, arte e militância. Como trago abaixo numa foto do III ENNAJUP - Encontro Norte-Nordeste de Assessoria Jurídica Popular, realizado em Marituba-PA no ano passado, junto aos companheiros da Renaju. De blusa preta, João atuava no Najup Isa Cunha.




"Que importa restarem cinzas se a chama foi bela e alta?" Poema feito por seu irmão Neto e lido quando de seu sepultamento.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Ao companheiro João Lucas

Hoje seria um dia de alegria, ao relatar a ótima vivência e convivência tida no ENNAJUP de Fortaleza (findo no último dia 02/11), no entanto, logo cedo, recebi a noticia triste do falecimento do companheiro João Lucas, acometido de um câncer. Fica agora a responsabilidade de homenageá-lo e lembrar dos tempos de militância no Direito em Movimento e no movimento de Ajup, ao atuar no Najup Isa Cunha.

João Lucas, onde estiver fique bem, companheiro!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Clarice Lispector

Fechando a homenagem à mulher neste Blog, trago poemas da grande Clarice Lispector. Ela que é vista como uma escritora que reconhecia com espanto ser um mistério para si mesma e que continuará sendo um mistério para seus admiradores, ainda que os textos confessionais aqui coligidos possibilitem reveladores vislumbres de sua densa personalidade. Eis alguns:

Não entendo

Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender./
Entender é sempre limitado./
Mas não entender pode não ter fronteiras./
Sinto que sou muito mais completa quando não entendo./
Não entender, do modo como falo, é um dom./
Não entender, mas não como um simples de espírito./
O bom é ser inteligente e não entender./
É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida./
É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice./
Só que de vez em quando vem a inquietação:/
quero entender um pouco./
Não demais: mas pelo menos entender que não entendo./


Se tudo existe

Se tudo existe é porque sou./
Mas por que esse mal estar?/
É porque não estou vivendo do único modo/
que existe para cada um de se viver e nem sei qual é./
Desconfortável./
Não me sinto bem./
Não sei o que é que há./
Mas alguma coisa está errada e dá mal estar./
No entanto estou sendo franca e meu jogo é limpo./
Abro o jogo./
Só não conto os fatos de minha vida:/
sou secreta por natureza./
O que há então?/
Só sei que não quero a impostura./
Recuso-me./
Eu me aprofundei mas não acredito em mim porque meu pensamento é inventado./


A Perfeição

O que me tranqüiliza é que tudo o que existe,/
existe com uma precisão absoluta./
O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete não transborda nem uma fração de milímetro além do tamanho de uma cabeça de alfinete./
Tudo o que existe é de uma grande exatidão./
Pena é que a maior parte do que existe com essa exatidão nos é tecnicamente invisível./
O bom é que a verdade chega a nós como um sentido secreto das coisas./
Nós terminamos adivinhando, confusos, a perfeição.

Mas há a vida

Mas há a vida/
que é para ser/
intensamente vivida, há o amor./
Que tem que ser vivido/
até a última gota./
Sem nenhum medo./
Não mata.

(agradecimentos à Maíra Neves, parceira de Najupak e colaboradora para esta sessão)

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Hoje é dia de luta feminista!

Na verdade todo dia é dia de se lutar, buscar seus direitos e concretização de projetos, e combater desigualdades e opressões. Por isso, o blog traz a matéria publica no Jornal do Coletivo de Estudantes Kizomba, de elaboração da Kizomba Lilás, que retrata a luta ideal por um mundo não-sexista e machista, assim como o chamamento para a grande marcha programada para março de 2010. Mas acompanhem a matéria, pois elas próprias são protagonistas desta luta, que deve envolver toda a sociedade.

Novos desafios e muitos motivos para continuarmos mobilizadas
(Jornal Número 4 - Outubro/Novembro de 2009 – disponível em www.kizomba.org.br)

Se um novo período do movimento estudantil se inicia com a eleição da nova diretoria da UNE, podemos afirmar que ele será marcado pela continuação da nossa luta feminista. Viemos de um momento muito importante no qual colocamos o debate da legalização do aborto como central para a entidade e, através dos debates nas universidades, aproximamos muitas meninas e ganhamos algumas para o feminismo. Conseguimos organizar grandes intervenções nos espaços gerais da UNE, como o ato contra a CPI do aborto no 51° CONUNE.

Agora, temos que continuar mobilizadas, fortalecendo os nossos coletivos nas Universidades, para avançarmos cada vez mais no combate ao machismo. E é importante que as ações dos nossos coletivos extrapolem os muros das Universidades, pois sabemos que o machismo está presente em toda sociedade. Para essa luta, temos alguns desafios colocados: o combate ao racismo e a construção das ações de 2010, em conjunto com a Marcha Mundial das Mulheres, são alguns deles.

Sabemos que as mulheres negras hoje ocupam os piores patamares nas pesquisas estatísticas sobre educação e saúde, sendo o perfil que mais sofre com a criminalização e não legalização do aborto, com o trabalho informal e precarizado, e com a violência sexual. Além do quê, a mídia insiste em não reconhecê-las como agentes sociais, considerando as como produtos sexuais nos carnavais e propagandeando-as como mercadoria brasileira no exterior.

Por acreditarmos que um outro mundo é possível, nós, mulheres feministas, marcharemos, novamente, para combatermos o machismo, o racismo e todas as formas de opressão. Marcharemos do dia 8 ao dia 18 de março de 2010 de Campinas a São Paulo.

Para essa ação, é muito importante a organização nos estados e nos municípios, pois este será um espaço de denúncia, reivindicação e formação política.

Sabemos que alguns aspectos atingem diretamente as mulheres jovens. Os meios de comunicação, por exemplo, vendem a todo tempo um padrão de beleza em que a mulher perfeita é magra, alta, branca, de cabelos lisos e loiros. Essa mesma mulher é mercantilizada a todo tempo nas propagandas de cerveja, carros e etc.

Outra realidade de exploração e opressão das mulheres é a indústria de cosméticos. Exploração porque as mulheres que trabalham com a venda de produtos como Natura e Avon são submetidas às precárias condições de trabalho deste ramo da indústria e são expostas às diversas formas de opressão.

Além do mais, tais mulheres sofrem uma interferência negativa na construção de sua subjetividade, sendo induzidas ao consumo desses produtos para se adequarem a um padrão de sociabilidade. A pesquisa e produção farmacêutica, que deveriam estar voltadas para a superação das mazelas e doenças da sociedade, caíram numa lógica neoliberal e o que interessa é o lucro a todo custo, mesmo que, para conquista deste, diversas mulheres se tornem reféns de antidepressivos, laxantes, e outros medicamentos de dependência. Nesse contexto, não podemos esquecer também a lucrativa indústria de anticoncepcionais, que coloca apenas para as mulheres a responsabilidade da reprodução.

Esses são apenas alguns dos motivos que temos para mobilizar as mulheres em todo país para marcharmos juntas.